Feliz Páscoa!!

Hoje a Páscoa é associada especialmente ao almoço de família no domingo, coelho de Páscoa e, lógico, chocolate, muito chocolate. Mas nem sempre foi assim, a Páscoa inicialmente tinha outro significado, bem diferente do que temos hoje.

Ao voltarmos na história, vemos que a Páscoa tem registro na história do povo israelita, quando este era escravo no Egito. Após Moisés e Arão insistirem que o povo israelita deveria sair e deixar de ser escravo com o Faraó, este não foi receptivo e negou o pedido feito. Algo compreensível para a mentalidade da época, pois o Egito tinha como principal força de trabalho, os escravos hebreus, quem somavam mais de 1 milhão de pessoas, segundo alguns historiadores.

Para o Faraó seria perder praticamente toda a força produtiva do país de uma hora para outra, razão pela qual ele se negou a libertá-los não só uma vez, mas diversos pedidos feitos por Moisés e Arão em nome de Deus.

Foi então que Deus avisou que mandaria 10 pragas sobre o Egito até que o Faraó concedesse a liberdade aos escravos israelitas. Foram as pragas enviadas: 1 – a água se transformou em sangue; 2 – Rãs; 3 – piolhos (mosquitos); 4 – Moscas; 5 – pestes nos animais; 6 – úlceras; 7 – chuva de pedras (granizo); 8 – gafanhotos; 9 – trevas, e; 10 – morte dos primogênitos.

Embora as pragas tenho sido muito fortes e atingido muito o povo do Egito, o Faraó somente se dispôs a libertar os hebreus depois da décima praga, a morte dos primogênitos. E é exatamente aí que nasce a Páscoa.

Deus havia avisado que mataria os primogênitos, tanto de homens como de animais, como sinal de que o Faraó deveria libertar seu povo do julgo da escravidão. Contudo, deixou uma saída para que essa praga não atingisse seu povo. Deus pediu que fosse morto em sacrifício um cordeiro e que seu sangue fosse passado nos umbrais da porta de entrada da casa. O anjo do senhor passaria por toda cidade, e nas casas nas quais fosse encontrado o sangue na porta, Deus pouparia o primogênito.

O motivo do sangue é que, desde aquele tempo, apontava para a aceitação do sacrifício de Jesus Cristo na Cruz, pois Bíblia diz que “sem o derramamento de sangue não há remissão de pecados”.

E assim aconteceu. Na data estabelecida, o anjo do Senhor fez com que todos os primogênitos daqueles que não tinha o sangue do cordeiro os protegendo morresse, inclusive o filho mais velho do Faraó.

Nunca houve e nunca haverá noite mais triste no Egito, pois em toda casa havia um morto. Depois da décima praga, sem poder mais resistir, o Faraó liberou os israelitas para saírem do Egito. Guiados por Moisés a Arão, estes começaram uma peregrinação que duraria muitos anos.

Mas o Faraó, influenciado por sua corte e vendo que seu reino corria risco de colapso por falta de mão de obra, reconsiderou e pôs todo seu exército para ir atrás dos hebreus para recapturá-los.

O povo hebreu, ao sair do Egito, marchou no deserto sendo guiado por uma coluna de nuvem que amenizava o calor, de dia, e uma chama que ardia no céu, a noite, que evita que passassem frio e ainda possibilitava que marchassem dia e noite. Os israelitas acampavam à beira do Mar Vermelho quando foram encontrados pelos Egípcios, que estavam prestes a recaptura-los.

Para se ter uma ideia mais certa do que aconteceu, imagine que toda essa cena a seguir se deu a noite, sem qualquer iluminação natural.

Os israelitas já viam os egípcios chegando e começaram a reclamar com Moisés, pois preferiam morrer no Egito do que no meio do deserto, diziam. Contudo, antes de que o pior pudesse acontecer, a coluna de fogo e a coluna de nuvem se colocaram entre os fugitivos e seus perseguidores. Isso atrasou o exército do Faraó e impediu que alcançassem seus ex-escravos.

Moisés então, seguindo a orientação de Deus, ergueu seus braços em direção ao mar, tendo seu cajado em uma das mãos, e o mar começou a ser agitado pelo vendo. De forma sobrenatural o mar começou a se separar, formando duas colunas enormes de água, onde, entre elas, se fez terra seca. Aquela enorme quantidade de gente começou a seguir por dentre o mar vermelho, andando pelo seu fundo, sem se molhar. Mulheres e homens, crianças e velhos, seguiram sem olhar para trás. Assim fizeram durante toda a madrugada.

Quando a coluna de nuvem e de fogo deixou os egípcios, estes saíram em disparada pelo mesmo caminho que os hebreus passaram, no meio do mar. No fim da madrugada, com os primeiros raios de sol despontando no horizonte, quando todos os israelitas já tinham passado e os egípcios já estavam perto deles, Moisés se colocou de frente para o mar novamente, levantou seus braços e seu cajado e fez o sinal para que o mar baixasse e voltasse ao normal.

Assim aconteceu. De forma surpreendente os Egípcios começaram a ver aquelas enormes paredes de água cedendo. No início um pouco, depois todo aquele volume de água veio em cima do exército do Faraó, de uma só vez. Todo o exército do Egito se perdeu naquele dia.

Por causa desse livramento, o povo hebreu começou a comemorar a Páscoa como sinal de libertação da escravidão e da morte.

 

Agora vamos saber, finalmente, como o coelho e o chocolate entraram nesta história.

 

Não podemos esquecer, em momento nenhum, que a Páscoa tem íntima ligação com a tradição judaico-cristã. Com isso, o coelho, que no inverno hiberna na sua toca e só sai quando do começo da primavera, foi escolhido como um símbolo da ressurreição de Jesus Cristo, que ressuscitou no terceiro dia.

A mesma coisa aconteceu com o ovo que, como símbolo de vida nova, foi incorporado na tradição da Páscoa, como símbolo de uma nova vida.

Portanto, o Coelho como símbolo de ressurreição e o ovo como símbolo de vida nova tomaram lugar na tradição cristã, substituindo os antigos símbolos.

Incialmente os ovos eram ovos de galinha mesmo. Pintados de diversas formas e cores. Esses ovos eram escondidos pelos pais, que diziam aos seus filhos que foi o coelho da Páscoa que tinha escondido e, na manhã do domingo de Páscoa, as crianças saiam para caçar os ovos.

Com o passar do tempo, os ovos que eram ovos de galinhas foram ganhando novas versões, até sua versão de chocolate. Ora, feriado de Páscoa, mais chocolate, mais caça aos ovos era uma combinação perfeita, especialmente para as crianças, razão pela qual essa tradição se mantém até os dias atuais.

É habitual hoje em dia receber ovos de chocolate na Páscoa. Tanto que ovo de Páscoa é quase um sinônimo para um chocolate em forma de ovo.

Particularmente adoro essa tradição. Junta coisas que gosto muito, especialmente poder celebrar com a família a possibilidade de vida nova, em abundância, almoçando e terminando com um belo chocolate.

 

Certo é que, neste ano, em razão do COVID-19, muitas famílias e amigos estarão separadas fisicamente.

 

Desejo a cada um de vocês uma Feliz Páscoa e um ano de relacionamentos mais doces.

 

Fonte:Chocolate