{"id":4528,"date":"2019-08-11T18:21:16","date_gmt":"2019-08-11T22:21:16","guid":{"rendered":"http:\/\/paulatooths.com\/index\/?p=4528"},"modified":"2019-08-11T18:21:16","modified_gmt":"2019-08-11T22:21:16","slug":"quatro-anos-de-luta-na-lama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paulatooths.com\/index\/2019\/08\/11\/quatro-anos-de-luta-na-lama\/","title":{"rendered":"Quatro Anos de Luta na Lama"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\">Mariana: uma jornada de quase quatro anos que segue sem desfecho<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Corte Brit\u00e2nica cancela audi\u00eancia e nova data ainda n\u00e3o foi determinada para o julgamento do caso do rompimento das barragens do Fund\u00e3o da Samarco.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Por Paula Tooths<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Minas Gerais parece n\u00e3o estar em um per\u00edodo de sorte. Nos \u00faltimos anos, o estado assistiu acidentes que deixaram marcas em muitas fam\u00edlias &#8211; Minera\u00e7\u00e3o Rio Verde, em Nova Lima (2001), na Minera\u00e7\u00e3o Rio Pomba Cataguases, em Mira\u00ed (2007), na Minera\u00e7\u00e3o Herculano, em Itabirito (2014), na Minera\u00e7\u00e3o Fund\u00e3o da Samarco em Mariana (2015) e em Brumadinho (2019).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mariana, considerado o maior desastre ambiental da hist\u00f3ria do Brasil, ocorreu na barragem do Fund\u00e3o da Samarco (Empresa da Vale), onde em 5 de novembro de 2015 provocou a libera\u00e7\u00e3o de uma onda de lama de mais de dez metros de altura e com isso a libera\u00e7\u00e3o de 62 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de rejeitos que destruiu o distrito de Bento Rodrigues. Al\u00e9m das perdas humanas, o acidente teve impacto ambiental irrepar\u00e1vel, uma vez que grandes regi\u00f5es ficaram cobertas de lama e os rios foram atingidos pelos rejeitos. Nesse acidente, v\u00e1rias esp\u00e9cies morreram, tanto de plantas quanto de animais e micro-organismos. Atualmente, o Rio Doce est\u00e1 polu\u00eddo nos estados de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo, havendo pouco ou quase nenhum reparo aos danos que fora causado a este recurso h\u00eddrico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quase quatro anos ap\u00f3s o rompimento das barragens em Mariana e ningu\u00e9m foi responsabilizado pelo desastre que somou 19 mortes, e os prefeitos e as fam\u00edlias seguem batalhando pela verba prometida para restaura\u00e7\u00e3o e indeniza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A minera\u00e7\u00e3o \u201cFund\u00e3o\u201d \u00e9 controlada pela Samarco \u2013 um empreendimento conjunto das maiores empresas do ramo no mundo \u2013 a brasileira Vale S.A. (50%) e a anglo-australiana BHP Biliton (50%). Posteriormente, de um acordo entre os propriet\u00e1rios, a controladora e o governo, a Funda\u00e7\u00e3o Renova foi criada para conduzir os \u2018reparos\u2019.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Samarco ofereceu uma parte da verba emergencial aos prefeitos em troca de um documento assinado, onde cada governante aceitasse n\u00e3o processar a controladora. A \u201cThe Intercept\u201d publicou em janeiro deste ano que pelo menos 20 dos 39 prefeitos teriam assinado o acordo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Duarte Jr, prefeito de Mariana, foi um dos entusiastas da cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Renova, mas j\u00e1 declarou em v\u00e1rias entrevistas recentes que acredita ter sido um erro. O prefeito tem aceito as verbas emergenciais, o que relata ser para acerto do caixa da cidade. Atualmente, Duarte Jr defende a ideia de um consorcio direto, por acreditar que at\u00e9 ent\u00e3o a Renova s\u00f3 funcionou para defender os valores da Samarco e suas propriet\u00e1rias. A Funda\u00e7\u00e3o Renova \u00e9 administrada pelos ex-executivos da Samarco, logo, n\u00e3o poderia ser diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o coletiva foi registrada em julho de 2018 na Austr\u00e1lia contra a BHP, j\u00e1 que a empresa \u00e9 tamb\u00e9m parcialmente subsidiada naquele pa\u00eds, por pouco mais de 3000 investidores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outra a\u00e7\u00e3o foi registrada em 2018 no Supremo Tribunal de Liverpool, apresentada por conta dos danos em nome dos indiv\u00edduos e comunidades, coletivamente. A SPG Law representa mais de 240mil indiv\u00edduos brasileiros, afetados pelo desastre de Mariana; al\u00e9m de 24 governos municipais, 11mil empresas, a Arquidiocese da Igreja Cat\u00f3lica de Mariana e a comunidade ind\u00edgena Krenak. Como a BHP Biliton, que \u00e9 dona da metade da Samarco, \u00e9 registrada na Inglaterra, este processo foi poss\u00edvel, por\u00e9m o julgamento dever\u00e1 respeitar a lei brasileira. A SPG Law exige um acordo de \u00a35 bilh\u00f5es (R$25 bilh\u00f5es), um dos maiores valores j\u00e1 proposto em corte brit\u00e2nica. Ainda, o acordo que a SPG Law tem com os indiv\u00edduos e comunidades que representa \u00e9 de que sua comiss\u00e3o seja de 30% do valor recebido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O prefeito de Mariana, Duarte Jr, conversou com v\u00e1rios jornalistas em Londres no come\u00e7o desta semana, mas logo seguiu para Liverpool, onde estaria presente no t\u00e3o esperado julgamento que deveria ter acontecido na \u00faltima quinta-feira, cerca das 11am. Por alguma raz\u00e3o desconhecida, a \u00fanica equipe brasileira \u201cconvidada\u201d foi a BBC Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O julgamento foi cancelado e ainda n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para a pr\u00f3xima reuni\u00e3o. Os motivos do cancelamento n\u00e3o foram revelados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto isso, as fam\u00edlias seguem ignoradas e esquecidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariana: uma jornada de quase quatro anos que segue sem desfecho &nbsp; Corte Brit\u00e2nica cancela audi\u00eancia e nova data ainda n\u00e3o foi determinada para o julgamento do caso do rompimento das barragens do Fund\u00e3o da Samarco. &nbsp; &nbsp; Por Paula Tooths \u00a0 &nbsp; Minas Gerais parece n\u00e3o estar em um per\u00edodo de sorte. 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