{"id":4398,"date":"2019-03-28T23:49:44","date_gmt":"2019-03-29T03:49:44","guid":{"rendered":"http:\/\/paulatooths.com\/index\/?p=4398"},"modified":"2019-03-28T23:52:17","modified_gmt":"2019-03-29T03:52:17","slug":"seria-o-fim-do-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paulatooths.com\/index\/2019\/03\/28\/seria-o-fim-do-jornalismo\/","title":{"rendered":"Seria o fim do jornalismo?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 pol\u00eamica, o casamento \u00e9 longe de ser perfeito, os impactos v\u00e3o al\u00e9m da queda da receita das editoras e o jornalista tradicional tem se reinventado diariamente para n\u00e3o perder mercado.<\/strong><\/p>\n<p>Com a infla\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, o jornalismo tradicional perdeu espa\u00e7o gradativamente. Os ve\u00edculos impressos est\u00e3o com os dias contados. Os portais de not\u00edcias ganharam for\u00e7a na \u00faltima d\u00e9cada, mas as redes sociais roubaram a cena.<\/p>\n<p>Em tempos de decad\u00eancia do jornalismo, nunca imaginar\u00edamos que uma frase do ilustre <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mark_Twain\">Mark Twain<\/a>fosse se tornar t\u00e3o contempor\u00e2nea. Falecido h\u00e1 109 anos, Twain disse: <em>\u201cSe voc\u00ea n\u00e3o l\u00ea jornal, \u00e9 ignorante; se l\u00ea, \u00e9 mal informado<\/em>\u201c.<\/p>\n<p>As redes sociais j\u00e1 fazem parte da vida dos jornalistas. Tanto para pesquisar assuntos, como para publicar fatos. Marcondes Filho publicou em 2000 o livro <a href=\"https:\/\/books.google.com\/books\/about\/Comunica%C3%A7%C3%A3o_e_jornalismo.html?id=fm5hPAAACAAJ\">\u2018Comunica\u00e7\u00e3o e Jornalismo: saga dos c\u00e3es perdidos<\/a>\u2018, obra brilhante que bem explica as eras jornal\u00edsticas e descreve o cen\u00e1rio que o jornalismo est\u00e1 vivendo. Na p\u00e1gina 13, o autor cita \u201cA transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica ir\u00e1 exigir da empresa jornal\u00edstica a capacidade financeira de auto sustenta\u00e7\u00e3o\u201d. A frase n\u00e3o poderia ser mais atual.<\/p>\n<p>O jornalismo tradicional tem tentado se ajustar \u00e0 nova realidade, mas as redes sociais v\u00eam transformando a maneira em que os consumidores de noticias recebem a informa\u00e7\u00e3o. A m\u00eddia social n\u00e3o \u00e9 jornalismo, \u00e9 um meio, como a televis\u00e3o ou o r\u00e1dio, por onde a not\u00edcia passeia.<\/p>\n<p>A m\u00eddia off-line ainda tem seu poder. As r\u00e1dios t\u00eam seus ouvintes, a televis\u00e3o seus telespectadores, mas com a chegada massacrante das redes sociais, os grupos de m\u00eddia tradicional est\u00e3o bastante sem rumo. Com tantos canais online, blogueiros, vlogueiros, e influenciadores, a audi\u00eancia foi repartida e o bom jornalismo deixou de ser t\u00e3o valioso.<\/p>\n<p>Qualquer pessoa pode postar sobre qualquer assunto online, aumentando a velocidade da distribui\u00e7\u00e3o. Todos tornaram-se jornalistas e comunicadores, mesmo sem perceber, e a palavra celebridade ganhou um novo significado \u2013 um usu\u00e1rio que conta com milhares de seguidores em qualquer plataforma social.<\/p>\n<p>As redes sociais s\u00e3o poderosas ferramentas de comunica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o substituem o jornalismo, complementam a not\u00edcia e abrem espa\u00e7o para discuss\u00f5es mais abrangentes. O jornalismo n\u00e3o vai deixar de existir, mas o fluxo de distribui\u00e7\u00e3o e o monop\u00f3lio sim. Quando comecei, eu datilografava o artigo. Os computadores chegaram e passamos todos por uma fase de adapta\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>Influenciadores digitais e embaixadores de marcas s\u00e3o as vozes mais poderosas nesse momento e neste caso, quando se trata de uma not\u00edcia paga, ela n\u00e3o necessariamente \u00e9 ver\u00eddica. Ela \u00e9 paga. Mas \u00e9 valido lembrar que uma grande por\u00e7\u00e3o da m\u00eddia tradicional tamb\u00e9m funcionou e funciona assim. O jornalismo nunca foi 100% imparcial e a m\u00eddia social tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1.<\/p>\n<p>Os jovens adultos n\u00e3o mais l\u00eaem jornais e, quando mencionam uma not\u00edcia qualquer, geralmente a fonte \u00e9 uma rede social. O primeiro ve\u00edculo a render-se foi o gigante brit\u00e2nico <em><a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/\">The Guardian<\/a> <\/em>que consolidou um contrato com o Facebook e deixou de ter controle absoluto de sua distribui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Existe um outro \u00e2ngulo dentro das postagens. Elas s\u00e3o mat\u00e9ria prima para o jornalismo tradicional. O maior problema, como em toda a internet, \u00e9 diferenciar qual informa\u00e7\u00e3o \u00e9 verdadeira.<\/p>\n<p>Hoje, cada vez mais, os chefes de estado bem como as grandes marcas, falam diretamente com o p\u00fablico alvo, pelas redes sociais, de uma maneira informal e descontra\u00edda e nesse caso sim, substituem a not\u00edcia de \u00faltima hora e o jornalismo elaborado.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/\">Facebook <\/a>tem mais de 2 bilh\u00f5es de usu\u00e1rios no mundo, ainda \u00e9 a rede social com maior influ\u00eancia digital. O Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking com 103 milh\u00f5es de usu\u00e1rios. O <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/\">Instagram<\/a>, que foi integrado com o Facebook h\u00e1 pouco, j\u00e1 conta com mais de 400 milh\u00f5es de usu\u00e1rios, sendo que 29 milh\u00f5es s\u00e3o contas brasileiras.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/\">YouTube <\/a>\u00e9 a grande promessa no meio digital, at\u00e9 por ser mais din\u00e2mico e dispensar leitura. A plataforma j\u00e1 ultrapassou a marca de 1 bilh\u00e3o de usu\u00e1rios que assistem 4 bilh\u00f5es de v\u00eddeos diariamente.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/twitter.com\/\">Twitter <\/a>com mais de 280 milh\u00f5es de usu\u00e1rios e 500 milh\u00f5es de postagens di\u00e1rias, ainda \u00e9 um grande meio de distribui\u00e7\u00e3o de noticias, mas n\u00e3o tem vivido seus melhores dias. O <a href=\"https:\/\/www.linkedin.com\/\">Linkedin<\/a>, \u00e9 uma plataforma mais segmentada, tem crescido lentamente, mas j\u00e1 conta com mais de 415 milh\u00f5es de usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>No conceito moderno de jornalismo, as redes d\u00e3o abertura \u00e0s not\u00edcias fabricadas, que n\u00e3o passam por filtros profissionais e viram verdades naquela audi\u00eancia. As autoridades n\u00e3o investem em iniciativas para a verifica\u00e7\u00e3o dos fatos. Todo cuidado \u00e9 pouco, principalmente em um momento em que fonte n\u00e3o \u00e9 requisito e credibilidade quase n\u00e3o se faz necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>As plataformas sociais tornam-se uma biblioteca infinita de pesquisa, mas ainda est\u00e3o longe de substituir o jornalismo. Fragmentos de informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o podem ser comparados ao jornalismo tradicional. O crescimento da atividade jornal\u00edstica ainda n\u00e3o vai parar nesta gera\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida ser\u00e1 moldado, reinventado, mas est\u00e1 longe da v\u00e9spera do fim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rela\u00e7\u00e3o \u00e9 pol\u00eamica, o casamento \u00e9 longe de ser perfeito, os impactos v\u00e3o al\u00e9m da queda da receita das editoras e o jornalista tradicional tem se reinventado diariamente para n\u00e3o perder mercado. Com a infla\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, o jornalismo tradicional perdeu espa\u00e7o gradativamente. Os ve\u00edculos impressos est\u00e3o com os dias contados. Os portais de not\u00edcias ganharam for\u00e7a na \u00faltima d\u00e9cada, mas as redes sociais roubaram a cena. 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